Herança genética

A doença de Fabry (DF) tem herança genética ligada ao cromossomo X. Isso significa que o gene GLA, que sofreu alterações nos portadores da doença de Fabry, localizado no cromossomo X.1,2

O gene GLA localiza-se no braço longo do cromossomo X; já há mais de 1000 variantes (alterações) descritas para este gene.2

A maioria das famílias possui "variantes privadas", ou seja, variantes específicas para essa determinada família.1

Como os homens (XY) possuem apenas um cromossomo X, geralmente manifestam a doença na sua forma clássica, mais grave. Já as mulheres, que possuem dois cromossomos X, podem ter uma compensação do X afetado, e por isso apresentam geralmente quadros mais leves, de início tardio e com menos sintomas.1,2

Entretanto, mulheres com doença da Fabry também podem apresentar formas graves da doença.1,2

Homens com doença de Fabry sempre vão transmitir o gene alterado, que é ligado ao X, para suas filhas, mas nunca para seus filhos, pois os filhos vão herdar o X da mãe e o Y do pai.1,3

Mulheres com doença de Fabry têm 50% de chance de transmitir a doença para seus filhos, tanto do sexo feminino como do sexo masculino.1,3

Padrão de herança da doença de Fabry.

Com Doença de Fabry

Com Doença de Fabry Legenda - Com Doença de Fabry

Não afetados

Legenda - Com Doença de Fabry Não afetados

Figura 1. elaborada a partir de informações de Boggio et al1 e Basta & Pandia 3

Uma vez feito o diagnóstico da DF, é fundamental pesquisar a história familiar, já que a maioria dos casos ocorre de forma hereditária. Porém a ausência de dados familiares positivos não invalidam o diagnóstico, uma vez que novas alterações genéticas têm sido documentadas, embora sejam raras.1,4

Os pacientes, parceiros e familiares devem receber aconselhamento genético.5

Se necessário, questões relativas ao estresse psicossocial podem ser abordadas (por exemplo a culpa por transmitir a doença a um filho, ansiedade, negação da doença, etc).5

O aconselhamento genético antes da decisão de ter filhos deve ser oferecido a homens e mulheres com DF em idade fértil.5

  • Referências

    1. Boggio P, Luna PC, Abad ME, Larralde M. Doença de Fabry. An Bras Dermatol; 84: 367–76 (2009)

    2. Michaud M, Mauhin W, Belmatoug N, et al. When and How to Diagnose Fabry Disease in Clinical Pratice. Am J Med Sci. DOI: 10.1016/j.amjms.2020.07.011 (2020)

    3. Basta M, Pandya AM. Genetics, X-Linked Inheritance. StatPearls Publishing, 2020 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32491315 (accessed Oct 19, 2020)

    4. Bernardes TP, Foresto RD, Kirsztajn GM. Fabry disease: Genetics, pathology, and treatment. Rev Assoc Med Bras; 66: s10–6 (2020)

    5. Ortiz A, Germain DP, Desnick RJ, et al. Fabry disease revisited: Management and treatment recommendations for adult patients. Mol Genet Metab; 123: 416–27 (2018)